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Índice de conteúdos:
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Localização

Freguesia do concelho de Matosinhos,
distrito do Porto, com uma superfície de 573,7 hectares, com uma população
de mais de 17.000 habitantes, 4.200 fogos e com 13.000 eleitores, tem como
limites: ao norte o concelho da Maia, a este, a freguesia de Leça do Balio,
a sul, a freguesia da Senhora da Hora e a oeste as freguesias da Senhora da
Hora, Santa Cruz do Bispo e Guifões. Dista do Porto 2 km e de 4 km de
Matosinhos.
Segundo os censos de 1991, esta
freguesia tinha uma população activa na ordem das 7.000 pessoas e população
passiva de 6.250 pessoas (4.500 jovens e 1750 reformados).
Compreende os seguintes lugares:
Avilhó, Bouções,
Caite, Carvalhas, Cete, Córgo,
Cruz, Custóias, Detraás das Torres, Esposade de Cima, Esposade do
Fundo, Estrada, Fonte do Cuco, Fonte, Fonte Velha, Fornilho, Golfeiro, Gondivinho, Igreja,
Unhar, Maciel, Matalto, Minhoteira, Monte Crasto,
Padrão da Légua, Pedras, Pias, Pinguela, Redolho, Santiago, S. Gens, e
Souto.
Faz
parte do vale do rio Leça, o que lhe confere um terreno muito fértil.A freguesia é atravessada pelas seguintes linhas de caminho de ferro: a linha da
Póvoa do Varzim, a linha de cintura e a linha de Guimarães. Tem uma alta densidade populacional
com um alto índice de construção civil. Tem feira semanal ao
sábado. Tem cinco agências bancárias. O posto de
correio é nas dependências da junta de freguesia. Tem uma paróquia,
pertencente à diocese do Porto. Tem uma junta constituída por cinco membros.
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Origem
do nome Custóias
Custóias vem
do latim "Custodias" que significava atalaias ou guardas. Foi escrito das
seguintes maneiras: Costodia,
Custodijs, Costoias,
Custodias, Costoyas, Custoyas.
Tal nome deriva de ter havido no monte S. Gens (San geens)
um facho ou vela para vigiar a costa de Matosinhos e a foz do rio Leça. Esse
lugar de vigia ainda existia no reinado de D. João II. Já em 1021, o monte
San geens era designado por monte Custodias, sendo que a sua localização era muito
boa como ponto de referência, quer do lado do mar, quer do lado da terra.
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Povoamento

Há indícios da
existência de monumentos megalíticos nesta freguesia, o que pode significar
que já no período Neolítico (5.000 anos a.C.) havia a utilização deste
território. Tais vestígios encontrar-se-iam no monte de S. Gens, havendo
também numerosos vestígios de castros nos lugares de Esposade e Matalto. As
populações que habitavam estes castros eram os
Callaeci, que se dedicavam quase em exclusivo à agricultura,
embora as guerras intestinas os obrigassem a ter perímetros de defesa, daí a
sua localização em pontos altos.
Na primeira
metade do séc. VI a.C. chegaram à Península vários povos a que se dá o nome
genérico de Celtas. Provinham da cultura de Adlerber, no centro da Europa.
Das várias tribos que vieram para a zona portuguesa da península, só nos
interessam os Draganes, por terem colonizado entre
os rios Vouga e Minho. Da junção das várias tribos com a população
autóctone, teriam provido os Celtiberos, que aliavam o carácter agrário dos
primeiros habitantes à vocação marítima dos segundos. Foi desde o séc. IV
a.C. que se começaram a definir os limites da Lusitânia, abrangendo os
territórios entre a Estremadura Espanhola e os montes Cantábricos.
No séc. III
a.C. dominaram a zona costeira do Cantábrico até ao Tejo. Estrabão disse:
a mais forte das nações ibéricas. Eram um povo dedicado à agricultura e ao
pastorício. - Com a chegada dos romanos à Península Ibérica e a sua
posterior conquista no séc. II a.C. veio a romanização da península. Foram
criadas três províncias, sendo a Galécia a
província que corresponde à região portuguesa a norte do Douro. É desse
tempo a vila de Cale (Gaia). Os romanos introduziram a administração, com a
criação de municípios e implementação das suas leis, que duraram até à idade
média. Foi no séc. V que os povos germânicos invadiram a Península Ibérica.
Pelo
ano de 409 entraram os Alanos, os Vândalos e os Suevos. Os Suevos, sob o
comando de Hermerico, conquistaram a região do
Minho e da Galiza. O centro do seu poderio era a região compreendida entre o
rio Douro e o rio Minho, sendo a sua capital Bracara (Braga) e o fulcro em
Cale (Gaia).
Após a morte
de Réquila em 448, o rei Requiano converteu-se ao
catolicismo em 456, procurando transformar em cruzada a luta contra os
Visigodos, que se haviam federado com
Roma para
dominar a Península. Como não conseguiram o seu intento, algum tempo depois
voltaram ao arianismo. Anos mais tarde, em 558, S. Martinho de Dume consegue
uma nova reconversão dos Suevos, no início do governo de Teodorico. Animados
por um fervor religioso, os Suevos tentaram novamente o domínio dos
Visigodos, mas sem êxito, ficando com o seu território reduzido a uma faixa
litoral do Noroeste.
O que não
conseguiram pela força das armas, conseguiram pela religião. Em 589, Recaredo, rei dos Visigodos,
converte-se ao catolicismo no 3° Concílio de Toledo. Depois da derrota de
Rodrigo na batalha de Guadalete, em 711, os Muçulmanos invadiram a
Península. A sua rápida conquista (durou 4 anos), fez com que somente uma
faixa nas Astúrias servisse de refúgio para alguns capitães visigóticos.
Comandava, este grupo de resistência, Pelaio ou Pelágiotque que derrotou um exército mouro em Cangas de
Onis.
À reconquista
do Douro por D. Afonso I, o Católico, (739-757), vai seguir-se uma política
de ermamento, ou seja, a desertificação das terras a norte dessa linha, a
fim de impedir um novo avanço dos Árabes.
No reinado de
D. Afonso III (866-910) foi feito um grande esforço para o repovoamento de
toda a zona a norte do Douro. Foi um cavaleiro de nome Vimara Peres que, em
868, fez a presúria de Portucale e a restauração do Castro Novum, na margem direita do Douro.
Durante o
reinado de D. Afonso V, o Nobre (994-1027), a zona costeira entre o Douro e
o Ave foi atacada por Normandos, em 1015, tendo sido destruídos os campos. A
importância desta zona do país é dada pela
maior densidade populacional da época. Custóias é assinalado pela primeira vez em escritos do séc. IX.
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História

"Villa nostra propria que avemus inter Durio e Leza alpe montis Custodias ...non
longe litore maris de ipsa
villa nominata Custodias ", mostra como a vila tirou o nome do
monte fortificado.
No longínquo ano de 967, Heibele
e a sua mulher Mansura transaccionam uma herdade havida dos seus
antepassados, na vila de Custóias, junto ao rio Leça, composta de terras ruptas e inruptas (cultivadas
e incultas), montes, fontes e petras mobiles (pedreiras), com árvores
fructuosas (de frutos) arvoredo
infructuoso (infrutíferas), a favor de
Advogatus e mulher Ilubidi. Assim reza o primeiro e mais antigo
documento sobre a vila de Custóias.
O segundo
texto data de 973 e reza
o seguinte: uma venda de bens em Custóias entre Viarigo
e consorte Levovilli de uma herdade com casas "
cuptas et cupos lagares lectos cathedras seu intrinsecus domorum aliter terras pomares
ameixenares alia pomifera
que ibidem sunt plantataaquias
aquarum existus montias pectras mobiles uel omnia que ibidem potueritis inuenire quicquid ad placitum hominis est per suis antiquis terminus " (
com pipos e cubas de lagares, leitos e cadeiras da casa e noutro lugar,
terras, pomares ameixoeiras e outras árvores de frutos que aí foram
plantadas junto às fontes, pedreiras e tudo o que nesses lugares se podia
encontrar para agrado do homem e para seus antigos fins ).
O
termo "vila”, que provém da colonização romana e que ainda era usado na
idade média, não tinha o significado que hoje se atribui ao referido termo.
"Vila" era uma herdade quase que autónoma, com um amo e família, com os seus
empregados, que vivia da exploração agrícola e pecuária.
Era a herança
das antigas vilas romanas, tão disseminadas pela
península. Cada vila era constituída por três partes distintas:
- A urbana - a
mais importante, pois era onde residia o senhor da vila (o dominus) mais a sua família. Poderia ser residência
permanente ou temporária. Era conhecida por palatium.
- A rústica -
eram as habitações dos servi (servos ou serviçais) e suas famílias,
quase cabanas, juntamente com o gado e utensílios de lavoura.
- A frutuária
- eram os celeiros e adegas. Quanto ao tipo de exploração, ele poderia ser
de duas maneiras: era cultivado por ordem do dominus
(dono) ou eram divididas em parcelas que eram dadas a homens livres para as
cultivar por sua conta, embora com a obrigação do pagamento de renda e com
ou sem obrigatoriedade de serviços pessoais. As suas habitações eram na
periferia da vila e eram chamadas casae
ou casulae. Subsistem ainda nos dias de
hoje as terras arrendadas a rendeiros.
No concelho de
Matosinhos eram conhecidas 22 "vilas":
Moroça
(Amorosa), Dorrom (Rodão), Gardia (Guarda), Campissu
(Camposinho), Gonçalvi,
(Gonçalves) Petra Ficta (Perafita),
Fracxinarius
(Freixieiro), Joham (Jam), Pampilidinus (Pampelido de Perafita), Lavra, Cabenellas (Cabanelas),
Pampelidus
(Pampelido de Lavra),
Casalle
(Casal), Angeses (Angeiras),
Pallaciollus (Painço),
Madia
(Santa Cruz da Maia), Costoyas
(Custóias)
Sposady Supernus
(Esposade de Cima), Riall
( Real ), Gatoões (Gatões), Sanctus Mamethus
(S. Mamede de Infesta) e Manhaldy (Moalde).
Com o evoluir
dos tempos, as vilas foram-se dividindo em vilares, quintanas e casais,
devido ao aumento de população. Foram encontradas "aras" no concelho de
Matosinhos, uma das quais em Leça do Balio, na quinta de Recarei, onde
presumivelmente existiria um templo romano. Dos antigos lugares de culto
pagão, a população convertida ao catolicismo, erigia uma igreja ou capela,
invocando um santo como padroeiro.
No caso de
Custóias foi possivelmente por causa da via que ligava o Porto com a foz do
rio Ave (via veteris -estrada antiga) e que
serviu para a ligação, pela costa, com Santiago de
Compostela, para a peregrinação dos romeiros a esse lugar Santo, cujo
padroeiro foi S. Tiago. Desta via resta ainda uma ponte que atravessa o rio
Leça, perto de Esposade, chamada de D.
Goimil, uma bela ponte de dois arcos em cavalete, sendo a sua
construção dos séc. XII ou XIII. Esta estrada principiava no Douro, no sítio
de Arrabea
(Arrábida) passava pelo Couto, vindo à Cruz de S.
Tiago de Custóias, para Pedras Rubras, Aveleda, Modivas e por fim na foz do
Rio Ave. A ponte de D. Goimil já era referenciada
em 1258. Como nota de rodapé, esta estrada foi elevada à categoria de
estrada Real no sec. XVII.
No início do
séc. XI, várias terras de Custóias pertenciam ao padroado do mosteiro do
Salvador (Mosteiro de Leça do Balio) e que, em 1016, D.
Unisco
Mendes, viúva de D. Tructesindo e seus filhos
Tructezindes
e Patrina, doaram esse padroado ao mosteiro da
Vacariça. É de salientar que em 1063, Gunsalvo e
sua mulher Elio e Vermudos
e sua mulher Ermesinda doaram ao dito mosteiro do Salvador vários prédios em
Custóias e salinas na foz do rio Leça.
Há vários
documentos de doações, vendas e trocas entre 967 e 1080, sobre terras e
prédios em Custóias. Eis alguns:
A V das Nonas
de Março de 1008, de Froila e
Ebraili, ao mae mo
Ederonio Alvitizi e mulher Trastina. No
mesmo ano de 1008, de Andrias e mulher Tresili e de Frater Carinto e mulher Donela, ao
mesmo Edronio. Em 1009, de Tidi
e seus filhos Domnani e Dulcina a Pelagio e mulher Crementina;
de Vistrile e seus filhos ao último casal citado:
de Leovegildo Alvitiz
ao já referido casal Ederonio. Em 1010, de Pelagio e mulher Serracina ao
atrás mencionado casal Ederonio.
Em 1045,
cedência do abade Tudeildus a determinados
presbíteros e monges, os mosteiros de Leça, Anta e a
Villa
de Custoyas e as salinas da foz do Leça. Estas
doações às igrejas e mosteiros eram frequentes nesta época, pois elas
garantiam que o clérigo Ihes celebrasse os santos
ofícios por sua alma, depois da morte dos ofertantes.
Ao se fazer a
história de Custóias, não se pode dissociar com a história do mosteiro de
Leça do Balio, pois as suas terras fizeram parte do couto que foi outorgado
por D. Afonso Henriques e sua mulher D. Mafalda ao dito mosteiro em 1123.
Devido à grande riqueza de todas as terras que são banhadas pelo rio Leça, o padroado do mosteiro foi utilizado para
resolver as finanças da mitra conimbricense, em 1094, por D. Urraca e D.
Raimundo, conde da Galiza, pela doação do mosteiro
da Vacariça e de todos os seus pertences, onde estava incluído o mosteiro de
Leça.
Entre 1112 e
1116, a rainha D. Teresa restaurou o padroado de Leça, Independente da mitra
de Coimbra e doou o mosteiro à Ordem do Hospital de S. João de Jerusalém
(Ordem dos Hospitaleiros e mais tarde Ordem de Malta).
Em 1166, o
couto foi confirmado pelo mesmo rei D. Afonso
Henriques e sua mulher, a D. Raimundo, conde e senhor da Galiza. Neste couto
estavam incluídas as terras de Leça, Custóias, S. Mamede de Infesta,
Barreiros, S. Faustino de Gueifães.
Nas
inquirições Afonsinas de 1258, a paróquia de Santiago de Custóias está
integrada no couto de Leça, sendo os principais lugares
Esposade
e Gondivinho. Nessas ditas inquirições, foram
declarados cinco casais no lugar de Esposade de
Baixo, quase todos da ordem do Hospital; no de
Gondivalinho
(Gondivinho), três, todos da mesma ordem, e no de
Custóias, sete, todos da Ordem e de fidalgos, sendo honra " propter previlegium Hospitalis ".
A igreja
paroquial é referida em 1258 como pertencente à ordem do Hospital e assim se
manteve durante séculos como vigoraria da apresentação do Balio de Leça.
Integra o julgado da Maia. A importância de Leça do Balio foi reconhecida
por D. Manuel que lhe atribui carta de foral em 4 de Julho de 1519 e mais
ainda, para fins administrativos será constituído um município com sede na
freguesia de Leça, com as freguesias de Custóias e S. Mamede de Infesta e
com julgado próprio. Cada uma das freguesias elegia dois vereadores e os
seis elegiam outro que servia como juiz ordinário do julgado.
Fez parte do
concelho de Leça do Balio até à sua extinção em 1836, passando a fazer parte
do concelho de Bouças, que em 1909 se passou a chamar Matosinhos. Tal ficou
a dever-se ao triunfo da causa liberal, que extinguiu as ordens religiosas e
logo todos os privilégios e regalias que tinha a ordem do Hospital.
Em 1864 foi
efectuada uma consulta pela junta de Freguesia de
Custóias às populações dos lugares de Matalto,
Fonte do Cuco, Bouças e Pedras, para saberem se queriam ficar como meeiros
de Guifões ou se, pelo contrário, queriam ficar em
Custóias. Foi afirmado pela população que só
reconheciam as autoridades de Custóias.
O Governo
Civil do Porto, em 26/6/1867, pela circular 603,
intentou unir as freguesias de Custóias, Guifões e Santa Cruz do Bispo. A
junta novamente consultou a população e tal proposta foi vetada pelo povo. Foi neste quartel que vários caminhos foram
transformados em estradas, com alargamentos, rectificações e pavimentações a
macadame. O Largo do Souto foi o núcleo desta rede de estradas.
Como nota de
curiosidade, em 8 de Julho de 1832, aquando do desembarque de D. Pedro em
Perafita, a fim de reclamar o trono para sua filha D. Maria II, pernoita em
Pedras Rubras e no dia 9 onde dá beija-mão e em seguida vai para o Largo do
Souto, em Custóias onde também dá beija-mão. A cadeira onde D. Pedro se
sentou para esta função era da residência de João de Sousa Couto. Mais
tarde, a cadeira seria oferecida a Guilherme Wilby
e em 19 de Novembro de 1908, sua filha Louise Wilby ofertou-a a D. Manuel ll,
aquando da sua visita ao Porto.
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Fachos e Atalaias

Desde a
civilização castreja, que as populações procuraram os pontos mais altos para
daí melhor se defenderem e vigiarem o movimento dos povos que os
circundavam. No caso de populações que viviam perto de costas, a observação
do mar era fundamental, pois o perigo de invasões era constante.
Portanto,
foram construídos postos de vigia em pontos altos, para poderem avisar as
populações dos diversos perigos. Em Custóias, foi no monte S. Gens que tal
posto de vigia foi construído. Do alto dos seus 137 metros, dava uma
panorâmica que se estendia do monte de Valongo até à foz do rio Leça.
A casa do
Facho era uma casa térrea, pequena, de perpianho, com porta e postigo
virados para o mar, onde o facheiro observava a aproximação do inimigo. Os
sinais eram de fumo, se era dia ou fogo vivo, de noite.
A importância
destas atalaias foi atestada no ano de 1484, no reinado de D. João II, por
uma ordem para a construção de uma casa do Facho em S. Gens e em Vila do
Conde, para que pudessem dar aviso imediato de qualquer embarcação suspeita
que se aproximasse do litoral. Eis a transcrição dessa ordem:
"Juizes oficiaes Nos EI Rey vos enviamos muyto ssaudar por asy comprir a nosso serviço queremos que loguo em esse julgado de Bouças
hordenees
atallaya que vaa
estarem sam geenspera darfoguo ...E porem vos mandamos e encomendamos que
tanto que vos esta vos for dada hordens loguo asy de poer a dicta atallaya em o dicto ssam geens com o vosso Rgimento na
maneira que asy hade teer em vellar e avissar com os dictos foogos a atallaya dos dictos lugares do Porto e Vila do Conde pela guissa que dicto lhe"
A atalaia de
S. Gens foi de facto estabelecida, como diz P. Agostinho de Azevedo" Aos
18 de Setembro de 1484 apareceram na Câmara do Porto Gonçalo do Souto, juiz
do Couto de S. João da Foz, e um João Fernandes, enviados pelos moradores da Foz do Douro, e disseram que eles
todos estiveram e estão sempre a mandamento desta cidade e por seu mandado
Regimento faziam tudo o que Ihes por os Juízes e
Regedores era mandado e que se fora a S. João da Foz o ouvidor do julgado de
Bouças e lhe mandara que do dito lugar da Foz enviassem certos homens cada
semana a velar ao monte de San geens "
No reinado de D. Sebastião, datado de 1570, há no
Regimento das Companhias um capítulo dedicado às Vigias. No final do séc.
XVIII havia um grande número destas vigias espalhadas
pelo
norte do País, com todos os aprestos e guarnições militares. No caso do
monte de S. Gens, todos os vestígios foram destruídos, para se efectuar a
extracção da pedra para a construção do porto de Leixões. Não só a atalaia,
mas também a velha capelinha.
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Feiras, Festas e
Romarias

Pagar a Cabrita
Em tempos idos, à Feira dos Moços em
Santiago de Custóias (primeiro de Novembro e primeira terça-feira de Abril)
compareciam em peso abastados lavradores da Maia.
Ali,
juntavam-se criados ou moços de servir a oferecer préstimos ao amo que desse
mais. O primeiro (de Verão), com soldadas mais elevadas, dizia respeito aos
meses de Abril a Outubro. O segundo (de Inverno), de Novembro a Março. O
contracto era verbal, selado com um aperto de mão, testemunhado por
lavradores. Incluía ou não roupa lavada e remendada pela
patroa, que oferecia duas calças de cotim, um par de socos abertos e outros
fechados e duas camisas de riscado. Sem estas regalias, o criado aceitava um
dia por mês (Domingo) para lavar e remendar. Fechado o contracto, o patrão
era obrigado, por tradição, a pagar a cabrita (marenda)
ao moço, na taberna da feira.
Na feira de Novembro, castanhas e vinho tinto e na feira de Abril, figos de
seira e vinho branco. Havia várias categorias de moços, começando pelas mais baixas: o moço de soga ou de "chamar" os
bois, vulgarmente contratados a comer e vestir; o moço de roçar (mato para
as cortes dos animais) e o moço de segar (erva). O moço grande, mais velho,
mantinha supremacia sobre os outros e, se tivesse tino (e sorte), poderia
casar com a filha do patrão ( ...)
Este texto, da
Alberto de Oliveira, atesta bem o carácter rural não só da freguesia de
Custóias, mas de todas as freguesias envolventes. A conhecida Feira dos
Moços realizava-se no Largo do Souto desde 1842 (antes desta data
realizava-se no Padrão da Légua) até 1950.
Feira dos
Barros
Feira dedicada
ao apóstolo Santiago, era a principal festa desta freguesia. De
antiquíssimas raízes (já em 1758 era referida) a feira dos barros era o
local onde os lavradores das redondezas se vinham abastecer de louças para o
ano inteiro. Vinham vendedores de todas as proveniências, em especial de
Barcelos, (cuja louça era por demais apreciada) para transaccionar os seus
produtos. Era no Largo do Souto e começava em 25 de Julho, durando uma
semana. Ainda hoje existem no mesmo Largo algumas lojas que vendem produtos
de barro, mas a velha tradição já não mais subsiste. A feira da louça foi
transferida para a festa do Senhor de Matosinhos.
Feira Semanal
É a feira mais
forte do concelho de Matosinhos, pedindo meças à feira de Espinho.
Inicialmente no Largo do Souto, foi transferida para um terreno próprio, em
frente ao cemitério. Efectua-se ao sábado e dura todo o dia. Tem nas roupas
o seu maior sector. Os pregões dos vendedores dão um especial colorido nas
ruas pejadas de pessoas que procuram o produto mais bonito e mais barato.
Dos legumes às galinhas, das flores às rações, tudo se vende nesta feira. As
barracas de comes e bebes, regurgitam de pessoas que se vão retemperar e
discutir qualquer negócio mais complicado. É obrigatório ir à feira de
Custóias pelo menos uma vez, para se ver os
produtos naturais como se usava no antigamente.
Festas Religiosas
As festas das
colheitas que se celebravam nos solstícios estivais, são de longínqua data.
Já nos tempos dos romanos elas eram celebradas. Na Idade Média, as feiras
eram os lugares privilegiados para a troca de todos os produtos que a terra
dava, juntamente com os artigos manufacturados.
Com o evoluir dos tempos, foi-se aliando a essas feiras uma festividade
religiosa. Um santo padroeiro do lugar era eleito e juntava-se a parte
profana com a parte religiosa. Compras e vendas, trocas, namoros e
casamentos, folguedo e notícias eram motivos mais que suficientes para os
ajuntamentos das pessoas nessas datas. As alterações das sociedades e dos
hábitos, têm introduzido modificações profundas na maneira de viver das
populações. Por um lado, o tipo de diversões que a mocidade prefere, não se
coaduna com a rusticidade das festas. Por outro lado, a economia agrícola
passou para os supermercados.
Resta-nos as
memórias de antigas festas, como as Festas de Nossa Senhora das Dores, em Esposade ou ainda a Festa de Nossa Senhora de S. Gens,
na antiga capelinha no cimo do monte de S. Gens. Em todas estas festas, as
pessoas vinham em ranchos, ao som das violas, concertinas, bombos e
ferrinhos, dançando e cantando.
Bailavam a
bicha, a cana verde, a ciranda, a chula, o preto e o vira. Trajavam os seus
melhores pertences, vindo muitas vezes em carros de bois. Quer na freguesia
de Custóias quer em Leça do Balio, havia a tradição de pôr os carros de bois
a "chiar", ou seja, os eixos em madeira produziam um som característico,
como um gemido. Este som característico, era conhecido pelos outros utentes desses carros. Suculentos farnéis
eram abertos para um fausto repasto. O estalejar dos foguetes sobrepunha-se
ao som da música. Ao fim da festa, já com namoricos em vista, regressava-se
em grupos a casa. Mas as gentes desta freguesia também se deslocavam a
outras festas no concelho: Senhor de Matosinhos, Senhora do Bom Despacho, S.
Bento de Vairão ou Santa Eufémia. A Festa de Nossa Senhora de S. Gens tinha
uma particularidade verdadeiramente curiosa.
A exploração
de pedreiras era uma das mais importantes actividades desta freguesia. Era
um trabalho muito duro, muito longo, pois era desde o amanhecer, até ao sol
se pôr, tendo uma hora de almoço no Inverno e 2/3 horas no Verão.
A mudança de
horário era marcada pela romaria à capelinha do
monte de S. Gens. Neste dia, os mestres ofereciam a merenda aos seus
operários, constituídas por broas de Páscoas, bacalhau frito, iscas e vinho.
A 8 de Setembro repetia-se o mesmo cerimonial, para marcar o regresso ao
horário de Inverno. Esta data era o assinalar do nascimento de Nossa
Senhora.
Na freguesia
de Custóias, celebra-se todos os anos a festa de S. Tiago Maior, padroeiro
desta freguesia. É no mês de Julho, abrangendo os dois domingos mais
próximos do dia 25. A procissão eucarística é no primeiro domingo. No
segundo domingo há outra procissão e missa solene. Arraiais populares,
música, ranchos folclóricos e fogo de artifício não podem faltar a festa que
se preze. É no Largo do Souto que se efectua a parte profana da festa.
Igreja Paroquial e Capela de Esposade
Conforme foi dito anteriormente "Santiago de Custóias
pertencia à vigoraria da apresentação do Balio de Leça. Já em 1258 a dita igreja paroquial é
mencionada como pertencente à Ordem do Hospital. Dado o estado ruinoso da
primitiva Matriz, a actual igreja foi construída no início do séc. XVIII. A
capela-mor foi construída no ano de 1733, a expensas da
Baliagem. No entanto, a igreja era servida por um pároco que vivia no
mosteiro da baliagem. Deslocava-se a Custóias para
celebrar a missa de Domingo e beatificar os enfermos impossibilitados de
sair de casa. Devido ao empenho dos dois vereadores desta freguesia no
concelho de Leça do Balio, a baliagem mandou construir uma residência para o pároco,
que se mudou em 1741 para a freguesia.
Durante os
anos de 1880 a 1898, esta igreja sofreu algumas beneficiações. Entre elas a
colocação de um altar onde ficou a venerar-se a antiga imagem da Nossa
Senhora de S. Gens, agora designada Nossa Senhora da Nazaré. Esta imagem,
como reza a tradição, foi transladada da antiga capelinha do alto do monte
de S. Gens. Tem esta igreja um altar-mor e dois colaterais. No altar-mor
está a imagem de S. Tiago, o Santíssimo Sacramento, S. Sebastião e Sant'
Ana. Nos colaterais, Nossa Senhora do Rosário e o Senhor Jesus. Tem uma boa
talha dourada e tectos com pinturas. O início da nave é encimado por um
coro. Nesta igreja existem no adro uma série de capelas funerárias,
vestígios do antigo cemitério no mesmo adro.
Em Esposade de Cima, existe uma capelinha, dedicada a Nossa
Senhora das Dores. Foi construída em 1737. A romaria que se realizava na
segunda oitava da Páscoa, isto é, na segunda feira de Páscoa, era muito
concorrida por gente vareira de Matosinhos e Leça da Palmeira.
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A Vida em Custóias

Para
caracterizar esta freguesia, vamos usar as memórias paroquiais de 1758, do
abade Frei Manuel Gomes Pereira, que era o pároco de Custóias:
"Os frutos
desta terra são em maior abundância o milho grosso, o trigo e o feijão. Não
há memória de nesta freguesia terem saído homens insignes em armas ou
virtudes. Não tem correio. Serve-se do Correio do Porto. Não tem
privilégios, antiguidades, nem outras coisas dignas de memória especial.
(isto seria verdade no séc. XVIII, mas no séc. XIII, teve-os e não foram
poucos). Não há criação de gados ou caça. Só os lavradores criam em pequena
escala, touros, vacas e leitões. Não tem esta freguesia fonte ou lagoa. O
rio Leça tem nesta freguesia as azenhas do Golfeiro
e seus moinhos no mesmo sítio e as azenhas chamadas da Pinguela, de Esposade de Cima, com os seus engenhos de moer cereal. Em relação às
nascentes de água, em 1899, destinadas ao uso doméstico, eram as seguintes:
Custóias, Fonte do Cuco e Esposade do Fundo (com
lavadouro público). Água captada ou de mina, Souto, Matalto e Esposade de Baixo" . Como é lógico, tudo isto se alterou nos nossos dias.
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O vale do Leça

O nome do rio
Leça deriva de uma vila romana "Villa Decio", que terá existido nas suas
margens, junto
a Leça do Balio. Há um texto que foi escrito aquando dos estudos para a
construção do porto de Leixões, que retracta com beleza o seu vale:
“O vale do
Leça estende-se amplamente desde o Miramar, sobre a costa, pelas colinas da Conceição e Linhares, até ao monte castêlo, já em Guifões. Está abrigado dos ventos dos
três primeiros quadrantes e apenas aberto aos do quarto, do lado do mar.
Avista-se totalmente, em todas as disposições, de qualquer ponto iminente
das encostas que o circundam por três lados; porque sendo uma planície muito
regular em grangêo cerealífero intensivo,
apenas se salientam nelas tufos de pequenas árvores, que fixam e guarnecem
as margens limosas do rio doce, derivando em curvas irregulares e largas
através dos campos mais ao centro. O rio salgado, último vestígio do quasi extincto braço de mar de
eras remotas, ostenta-se mais a sul, até perto do extremo leste do vale,
principalmente quando as marés vivas inundam as moitas que defendem os
campos cultivados que o limitam. Estas duas correntes opostas juntam-se a pouca distância
da praia. O rio doce, quasi seco em pleno Estio,
mal se divisa, abafado pela vegetação triunfal que
irrompe do solo fecundo que o cerca, sendo nesta época que os fenómenos
hidrológicos, a que se aludiu, se manifestam mais sugestivos e convincentes"
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População

Em 1258, havia 5 casais em Esposade, em
Custóias 7 e 3 em Gondivinho.
Em 1527, havia
36 fogos, com um total de 144 pessoas.
Em 1758, havia 120 fogos, com 449 habitantes.
Em 1864, havia 269 fogos, com 925 habitantes.
Em 1891, havia 227 fogos, com 1332 habitantes.
Em 1911, havia 442 fogos, com 2087 habitantes.
Em 1930, havia 514 fogos, com 3266 habitantes.
Em 1950, havia 1245 fogos, com 4806 habitantes.
Em 1960, havia 1734 fogos, com 6584 habitantes
Em 1970, havia uma população de 9045 habitantes.
Em 1981, havia uma população de 13121 habitantes.
Em 1991, havia uma população de 14696 habitantes e 3455
habitações
Em 1999, havia uma população de 17000 habitantes e 4500
habitações
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Paisagem Humana

Custóias é uma
das freguesias com maior crescimento populacional e habitacional do concelho
de Matosinhos. Pena é que o crescimento populacional não tenha trazido um
aumento nos sectores produtivos, sendo que a agricultura ocupa uma grande
parte dos terrenos desta freguesia.
Até aos anos
60, esta freguesia era essencialmente rural e agrícola, tendo como únicas
indústrias a A.P.C. (mais conhecida pelos
caulinos), a fábrica de farinhas Carneiro, Campos & Ca e tinha um comércio
de subsistência para a população local. Mas não vamos pensar que o caso de
Custóias era um caso isolado no concelho de Matosinhos. Todas as freguesias
do concelho, salvo Matosinhos, eram idênticas.
É nos anos 60
que a Via Norte é construída, tendo sido uma via de abertura para a
implantação
de parques
industriais a norte do Porto. O incremento do porto de Leixões para as
exportações e importações
dos mais diversos produtos, transportou para o concelho de Matosinhos várias
empresas. Com isso e o implemento da construção civil devido aos mais baixos
custos dos terrenos, provocou um afluxo de pessoas para as freguesias
limítrofes do Porto.
Custóias foi
das freguesias com maior índice de crescimento populacional (46,8%) nos
últimos anos. Hoje tem alguma indústria, mas é nos campos do comércio e
serviços que se deu a maior evolução. Tem havido o cuidado de fixar
população nesta freguesia, oferecendo várias infra-estruturas no âmbito do
desporto, serviços sociais e transportes. Com o futuro metro de superfície,
a passar nesta freguesia, há grandes possibilidades de um incremento de
fixação de factores de produção e população em Custóias.
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Educação

Tem esta freguesia vários estabelecimentos de ensino,
pois devido ao seu grande crescimento populacional os meios de educação e
instrução tiveram de acompanhar esse mesmo crescimento.
Tem três
escolas primárias, Esposade, Custóias, Gatões e Santiago, escola EB 2.3 de
Santiago e escola secundária do Padrão da Légua. Tem também 2 jardins de
infância. Tem o Instituto Electrotécnico de Portugal, onde se efectuam
cursos de formação profissional.
A primeira
escola primária que houve em Custóias foi instalada no Largo do Souto, numa
casa arrendada a José Moreira Fontes, em 28/9/1890, pela
renda anual de 20.000 reis. Tal escola servia Custóias e Guifões. A escola
iniciou as suas actividades em 29/1/1891, sendo a sua primeira professora D.
Ana Augusta Neves Teixeira. Foi professora até 1903. Em 1899, a escola foi
transferida para o prédio nº 94 do Largo do Souto. Como curiosidade, os
primeiros alunos a fazerem o exame de quarta classe com aproveitamento
foram: Adelino Alves da Silva e Domingos Pereira da Silva.
A primeira
escola primária feminina data de 1910. Foi instalada em
Esposade, num prédio do comerciante Manuel da Silva Santos Júnior.
Devido à sua localização, a população discordou e pediu que a mesma fosse
transferida para o Largo do Souto ou proximidades. Um novo problema surge.
Não havia edifício para esse fim disponível. Depois de várias démarches, o
Sr. José Domingos da Fonte, pessoa da maior respeitabilidade, comprometia-se
a edificar uma casa apropriada para esse fim, até ao fim de Março de 1912. A
renda seria de 60.000 reis por ano, e ele cederia uma casa para o mesmo
efeito, até à conclusão do outro edifício.
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Solidariedade
Social

Tem tido esta
junta de freguesia uma atenção especial para com o problema da terceira
idade. Desde O Centro Social e Cultural de Custóias, que foi inaugurado em
1983 e que funciona nas instalações da Junta, servindo de convívio para a
população mais idosa, até ao novo centro que foi inaugurado em 23 de
Dezembro de 1999, na Rua Teixeira Lopes, com uma área de 400 metros
quadrados, passando por um apoio domiciliário a idosos acamados, a
intervenção da autarquia tem-se pautado por um cuidado interessado para com
os mais velhos.
Juntamente com a Câmara Municipal de Matosinhos e a ADEIMA, têm sido
resolvidos vários problemas no âmbito da habitação social. O apoio às
diversas colectividades, quer desportivas, quer recreativas, para a ocupação
dos tempos livres da camada mais jovens tem possibilitado o desenvolvimento
do associativismo nesta freguesia.
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Casas e Quintas

Casa de S. Tiago
Belíssimo exemplar da
construção civil do séc. XVII, esta casa, pertença da família Pestana da
Silva desde 1850, é a mais bela casa senhorial da freguesia. Localizada
junto à Igreja paroquial e a escassas centenas de metros do Largo do
Souto, tem sido utilizada para festas e outros acontecimentos mundanos.
Segundo um documento de 1604, esta propriedade era conhecida por Meio
Casal de Justa Gonçalves e pertencia ao baliado de Leça. Era uma
exploração agrícola de boas dimensões, com casa de sobrado, cozinha,
aidos e celeiro.
Aparece
em 1717 na posse de João Dias da Silva. Com o casamento de sua filha com
Domingos Gonçalves Lopes, um filho do casal, José Gonçalves Lopes
tornou-se capitão-mor da baliagem e
administrador da Casa de S. Tiago.
Em 1804,
Domingos Gonçalves Lopes requer que lhe seja passado o titulo de nobreza
a autorizado o uso de brasão, o que lhe é concedido em 1807. Domingos
Gonçalves Lopes foi obrigado a vender a Casa de Santiago em 1850 à
família Pestana da Silva, conforme foi dito, em virtude de grandes
dívidas contraídas.
Casa dos Leões
Conhecida desde 1643, como Meio Casal de Custoyas,
registado nos tombos do baliado de Leça, foi emprazado em meados do séc.
XVII a André António Custoyas, que foi alferes
do Couto de Leça, tendo sido sucedido no seu cargo por seu genro Manuel
de Oliveira. Esta propriedade era composta por casa de sobrado, eiras,
celeiro e estábulos com campos de cultivo e bouças. O seu nome deriva de
dois leões que encimam o portão principal da casa.
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Lenda de
Esposade

Como
qualquer lenda, não é mais do que uma lenda. Conta-se que no ano de 44
d.C., se estava a realizar um casamento em Esposade, de um patrício
romano de nome Caio Carpo com a jovem Cláudia Lupa Calense. Era um belo
dia de Primavera e, como em todos os casamentos da época, efectuavam-se
jogos onde os convivas punham à prova as suas habilidades,
especialmente, os seus dotes de cavaleiros. No meio das habilidades, o
cavalo de Caio Carpo tomou o freio nos dentes e abalou. Foi andando até
à praia e entrou por mar dentro. Lá ao longe divisava-se uma barca. O
cavalo nadando com o seu cavaleiro no dorso dirigiu-se para essa barca.
Em chegando, foi recolhido pelos mareantes que lhe disseram que vinham
da Palestina e que transportavam o corpo do Apóstolo S. Tiago. Perante
tal milagre, pois ele já se considerava morto, logo se converteu ao
catolicismo. Voltando para terra do mesmo modo, quando chegou à festa e
tal contou, logo todos os presentes se converteram. É o que reza a
lenda.
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Estabelecimento
Prisional do Porto

Este
estabelecimento prisional foi ocupado em 29 de Abril de 1974,
pelos reclusos que foram transferidos da Cadeia Civil do
Porto, para Custóias. O início da construção do edifício foi em 1961,
sendo inteiramente executado por reclusos (Brigada de Trabalho Prisional
do Porto) que, inicialmente e para efectuarem os alicerces, eram
transportados em carros celulares, passando a residir no recinto em
barracões de madeira, para o resto da construção. Esta brigada era
composta por 230 reclusos. Esta brigada de trabalho foi extinta em 1975.
O Estabelecimento Prisional do Porto foi concebido inicialmente só para
reclusos. Actualmente tem estruturas para 480 reclusos e 20 reclusas,
embora a sua lotação esteja em muito superada. Como caso curioso, este
estabelecimento prisional foi visitado em 6 de Julho de 1997
pelo Presidente da República, sendo esta data considerada a da
sua inauguração pois, oficialmente, este edifício foi ocupado, mas não
inaugurado. O seu primeiro director foi o Dr. José Damasceno Campos e
actualmente é o Dr. Hernâni Castro Vieira.
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Aterro
Sanitário de Matosinhos

Um dos
maiores problemas com que se deparam hoje em dia as autarquias é com os
lixos urbanos. Tem Custóias o aterro sanitário de Matosinhos que recebe
120.000 toneladas por ano de resíduos sólidos urbanos. Este aterro serve
cerca de 220.000 pessoas. Neste aterro sanitário foi desenvolvido um
sofisticado programa de monitorização para o controle das águas
lixiviadas e emissão de gases.
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Webmaster: Hugo Costa 2003
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