Câmara Municipal de Matosinhos:

Tirar contratações a limpo

A política de contratações da Câmara de Matosinhos voltou a estar em cima da mesa no decorrer da reunião de executivo de ontem. Narciso Miranda vai pedir uma inspecção à IGAT e ao Ministério das Cidades de forma a clarificar a situação e salvaguardar a autarquia.

Narciso Miranda apresentou ontem dois ofícios que vai enviar à Inspecção-Geral da Administração do Território (IGAT) e ao Ministério das Cidades, Ambiente e Ordenamento de Território tendo em vista uma inspecção "com carácter urgente" para averiguar a questão da contratação de familiares do autarca para desempenharem funções na Câmara de Matosinhos.

Câmara Municipal de Matosinhos: Tirar contratações a limpoNo decorrer desta investigação vão ser analisados todos os processos de recrutamento dos funcionários referenciados em notícias recentemente vindas a público. Com esta medida, o presidente da Câmara de Matosinhos pretende "clarificar o assunto em defesa da Administração Pública em geral e do Poder Local em particular".

Na reunião de executivo de ontem, José Pedro Rodrigues, da CDU, apresentou duas propostas ao executivo. O primeiro documento pedia que a câmara fornecesse todos os elementos que resultam na contratação de pessoal e os critérios existentes nos concursos públicos referentes ao anterior e actuais mandatos. Posteriormente esta informação vai ser avaliada por todos os partidos com assento na Assembleia Municipal.

A outra proposta, que foi rejeitada pelo PS, PSD e PP, assentava na criação de uma comissão com representantes dos vários partidos, com o objectivo de avaliar esta situação. De acordo com José Pedro Rodrigues, esta medida serviria para "terminar com as suspeitas que estão a ser levantadas na câmara". "Queremos que esta situação seja resolvida e é esse o objectivo do PCP desde o início", acrescentou.

Presos

Durante a mesma reunião, o executivo camarário aprovou a continuidade do protocolo com o Ministério da Justiça para que a limpeza de terrenos municipais, matas, áreas florestais, praias, aterros sanitários e dos ecocentros de Sendim e Custóias seja assegurada pelos reclusos do Estabelecimento Prisional de Santa Cruz do Bispo. Os custos desta medida, que serão suportados pela autarquia, rondam os 97 mil euros. Além disso, a câmara deu o aval para a concessão da manutenção dos jardins do concelho por um prazo de 18 meses a algumas empresas nacionais e estrangeiras.

Marginal adiada

O ponto referente ao contracto com a sociedade Polis para a resolução de alguns problemas existentes na marginal de Matosinhos, nomeadamente a construção dos equipamentos de apoio à praia, era para ser discutido durante a reunião de executivo de ontem. No entanto, acabou por ser adiado para uma reunião extraordinária que vai realizar-se na próxima segunda-feira.


Por: Pedro Miguel Rodrigues in O Primeiro de Janeiro edição de 03-02-04

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