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Famílias
ciganas mostraram desagrado à autarquia
Impedidos de vender em Custóias
A confusão gerou-se na Feira de Custóias com as
autoridades policiais a impedirem que comerciantes ciganos montassem
as suas bancas. Apesar de acatarem a medida, os feirantes ficaram
indignados com a decisão
Como já é hábito, cerca de 60 famílias ciganas deslocaram-se, logo
pela manhã, à Feira de Custóias para ali montarem a sua banca para a
venda que se pratica ali durante todas as tardes de sábado. Mas, no
passado fim de semana, tudo foi diferente. Quando lá chegaram tinham
à sua espera agentes da GNR que os impediram de montar as
respectivas bancas. Argumento: que o local estaria na eminência de
obras e que, como estavam ilegais, estas famílias teriam de deixar
de vender ali mesmo.
Apesar de acatarem a ordem das autoridades policiais, os
comerciantes não ficaram convencidos com a justificação dada. E foi
isso mesmo que foram dizer a Guilherme Pinto logo pela manhã de
segunda feira. Manuel Gimenez salientou ao Matosinhos Hoje que se
trata de cerca de 60 famílias que já faziam da Feira de Custóias o
seu local de venda há mais de vinte anos. "Retiraram-nos da feira
sem qualquer justificação e sem alternativas", afirmou. Quanto ao
facto de estarem ou não legais, o líder da Associação Cigana
matosinhense mostrou-nos um maço de senhas que a Junta de Freguesia
de Custóias lhes vem cobrando ao longo do tempo. "Então para pagar
já estamos legais? Se pagamos esta taxa é porque estamos legais.
Senão, porque nos cobram isto?"
O local onde estas famílias costumam colocar as suas bancas vai ser
alvo de intervenção no âmbito das obras do IP4 que estão a
desenrolar-se em Custóias. Logo, os feirantes precisam de deixar o
local. Contra isto, Manuel Gimenez nada tem, compreendendo que as
obras têm mesmo de ser feitas. Com o que não concorda é com a forma
como tudo está a ser feito. "Deram alternativas a outras pessoas,
não ciganas, que vendiam lá e a nós não disseram nada. Só soubemos
que não podíamos colocar ali as bancas quando lá chegámos no
sábado."
Uma vez que também pagam para ali desenvolverem a sua actividade,
estes comerciantes querem que lhes seja dada uma solução para o
problema que se gerou. "Estamos a falar de muitos postos de trabalho
que ali encontram o seu sustento para as suas famílias. O que vai
delas agora? Nós concordamos em sair de lá, mas com alternativas.
Temos os mesmos direitos e deveres que qualquer outro cidadão",
reivindica.
Foram, assim, muitos os feirantes de Custóias que se deslocaram à
Câmara Municipal de Matosinhos na segunda feira passada. Procuravam
a ajuda de Guilherme Pinto para a situação que se criou. Foram
recebidos pelo edil matosinhense que se mostrou sensibilizado para
esta questão. Apesar da Câmara não ter jurisdição directa sobre a
gestão da Feira de Custóias (uma vez que cabe à Junta de Freguesia
local esse papel), Guilherme Pinto prometeu falar com José Tunes de
forma a tentar mediar uma solução boa para ambas as partes. Manuel
Gimenez aceitou essa ajuda da autarquia, mas mostrou-se pouco
optimista quanto à resolução do problema até ao próximo sábado.
"Será difícil voltarmos à feira já no próximo fim de semana." No
entanto, aguarda o resultado da reunião entre o Presidente da Câmara
de Matosinhos e o Presidente da Junta de Custóias. "Caso não nos
arranjem alternativas, teremos de optar por outras formas de luta."
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