Projecto inovador apresentado na Cadeia de Custóias

Guardas recebem formação

Os guardas prisionais estão a receber acções de formação. O objectivo desta iniciativa promovida pela ASOR é humanizar as cadeias portuguesas. O Estabelecimento Prisional de Custóias foi o escolhido para apresentar esta iniciativa de âmbito nacional, que vai abranger 800 guardas.

Guardas recebem formaçãoCerca de meia centena de guardas prisionais do Estabelecimento Prisional de Custóias, em Matosinhos, já começaram a receber formação em Ciências Sociais e Comportamento, Informática e Direito. Esta iniciativa pretende contribuir para uma maior humanização das cadeias portuguesas.

Foi pensada e é orientada pela Associação Sindical dos Oficiais dos Registos e Notariado (ASOR), com a colaboração do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP). A apresentação pública da iniciativa de âmbito nacional decorreu no Estabelecimento Prisional de Custóias. "É uma cadeia marcante em Portugal, sobrelotada e com grandes conflitos", explicou o presidente da ASOR, Paulo Morais.

As acções de formação vão realizar-se também nos restantes estabelecimentos prisionais do País, à excepção da Região de Lisboa e Vale do Tejo e das Regiões autónomas. Trata-se de uma iniciativa inédita em Portugal e é financiada por fundos comunitários. No total, vão receber acções de formação 800 guardas prisionais, representando 12,5% desta classe profissional.

O programa de formação "será a tradução de um projecto pedagógico coerente que permitirá uma maior dignificação da carreira dos guardas prisionais e a aquisição de capacidade técnica e de serviços indispensáveis para um melhor desempenho profissional", explicou o presidente da ASOR. Esta associação é pioneira na preocupação com a classe de guardas prisionais, pelo que se propõe colmatar as lacunas de formação, detectadas num levantamento abrangente. Assim, os direitos dos presos e dos guardas no interior do sistema prisional serão um dos aspectos a abordar.

"Estamos a substituirmo-nos ao Ministério da Justiça que não fornece gabinetes de apoio psicológico aos guardas prisionais. Vamos dar formação em inteligência emocional, como lidar com situações de risco e perigo", afirmou o presidente da ASOR, Paulo Morais. No total, serão ministrados 16 cursos, divididos por três disciplinas específicas, direito, informática e ciências sociais. Para o presidente do SNCGP, Manuel Carvalho, "a formação é uma prioridade". Além de permitir a progressão na carreira, é essencial na execução da Justiça. "A população reclusa é cada vez mais esclarecida, os guardas prisionais têm que ter capacidade de resposta", referiu o dirigente sindical.


Por: Lúcia Pereira in O Primeiro de Janeiro edição de 2004-05-05

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