Obras IP4 estão a avançar... e a incomodar

Uma nuvem de poeira

 

As populações mostraram-se apreensivas com o trajecto e eventual poluição sonora provocados pelo IP4. Agora, com o decorrer das obras, estão a sofrer com outro problema: o pó.

 

Há muito que o IP4 estava planeado. Os sucessivos governos da nossa nação vinham adiando o início dos trabalhos. O dinheiro para a obra até existia, mas as máquinas não avançavam. Finalmente o IP4 é para concluir. Antes, porém em Matosinhos houve um debate com a população. Guilherme Pinto e Narciso Miranda foram às freguesias por onde passa o itinerário explicar às pessoas como seria o traçado e a implicação que teria nas suas vidas.

 

As populações mostraram-se renitentes. Uma via com esta importância vai trazer muito trânsito. Logo, o barulho foi o problema mais levantado, para além da proximidade com as habitações.

 

Passada a fase da consulta pública, a obra finalmente foi para o terreno. E em várias frentes. O percurso está a ser rasgado por entre campos e casas. As máquinas trabalham constantemente, num frenesim diário. E já se consegue vislumbrar a grandeza da via e a importância que esta vai assumir no descongestionamento do tráfego regional e urbano.

 

No entanto, tanto movimento e tanta obra está a causar um enorme inconveniente às populações. Para além do barulho provocado pelo vai e vem dos camiões e os cortes à circulação de alguns percursos, o problema é a poeira que está constantemente no ar. É que os veículos pesados transportam terras de um lado para o outro. Com o tempo seco que se faz sentir, os camiões acabam por deixar um rasto de poeira por onde passam (para além da terra que vem agarrada nos pneus das viaturas). As populações de Matosinhos, Guifões, Custóias, Leça do Balio e S. Mamede de Infesta têm, assim, vivido por entre uma nuvem de poeira constante sempre que passa um dos camiões das obras do IP4.

 

A terra acumula-se em considerável quantidade nas bermas das ruas sujeitas ao tráfego destes camiões. As viaturas ligeiras por ali estacionadas ficam de cor irreconhecível, tamanha é a quantidade de pó que têm em cima. As janelas das casas estão constantemente fechadas e já demonstram uma considerável sujidade.

 

Dificuldades respiratórias

 

Fernando Silveira é proprietário de uma dessas habitações. “Tem sido um martírio”, confessou-nos. “Com este calor nem conseguimos arejar as nossas casas, porque se abrimos as janelas somos invadidos por um monte de poeira.” Um problema que se estende a outros aspectos. “Tenho o carro miserável. E não é só no exterior. Por dentro também está cheio de pó.”

 

Maria da Conceição Gomes já teve de alterar alguns hábitos do seu dia a dia à conta desta nova realidade. “Já não posso utilizar o estendal da minha casa. Se estendo lá a roupa ela fica-me negra.” A solução tem sido a filha. “É o que me tem valido, senão não tinha onde secar a roupa.” Isto para não falar do pó que lhe entra pela casa dentro. “Nem vale a pena limpar, porque é só viram-mos contas e já está outra vez tudo sujo.”

 

Mas se o pó provoca estes inconvenientes no quotidiano das populações, a verdade é que a questão também toma contornos ao nível da saúde pública. Mariana Pereira é um exemplo disso mesmo. Apesar de não residir no nosso concelho, esta jovem desloca-se todos os dias a Custóias para trabalhar. Para quem tem problemas de saúde do foro respiratório, como é o caso de Mariana, esta constante poeira no ar é um problema. “É muito inconveniente. Farto-me de espirrar e provoca-me constantes dores de cabeça.” Um mau estar físico que o pó tem contribuído para agravar.

 

Estes são problemas que se verificam desde que entraram no terreno das máquinas. A construção dos acessos e da via levam à deslocação de muita terra. Ora, o tempo seco faz com que o pó ande constantemente no ar. As populações perto dos locais dos trabalhos é que sofrem e demonstram já sinais de que a situação não lhes agrada de todo. E compreende-se. É que ninguém põe em causa a importância da conclusão do IP4. Mas, os inconvenientes estão a ser muitos e têm implicação não só no dia a dia dos cidadãos, como também na sua saúde. É que os níveis de poluição atmosférica já são significativos e agora junta-se-lhes o constante pó que incomoda cada vez mais.

 

 

Por: Laura Vieira in Matosinhos Hoje edição de 24-08-05

 

 

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