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Mais uma família a
viver sem condições
Desespero ao ver a casa inundada
Mais uma família em desespero
com poucas condições de habitação, que anseia, há anos, por uma nova
casa.
Os bombeiros e Protecção Civil
não tiveram mãos a medir para evitar que a chuva e os ventos causassem
estragos. As fortes chuvadas e ventos registados, na passada semana,
por todo o país, provocaram dezenas de inundações e a queda de algumas
árvores. Em consequência da forte trovoada, chuva e vento
verificaram-se várias inundações, estragos e trânsito caótico pelas
freguesias. Rosa Pereira, de 52 anos de idade, reside há 27 anos na
Rua da Fonte Velha, nº 798, em Custóias, numa casa sem condições para
albergar quatro adultos.
Por volta da hora do almoço, da manhã turbulenta,
esta cidadã entrou em sua casa e ficou mais uma vez "com o coração nas
mãos e num autêntico desespero". É que, garante, não ser a primeira
vez que a sua casa inunda ao ponto de lhe estragar mobílias e material
eléctrico. "Os canos estando entupidos, a água não corre e vêm para
trás enchendo de água a minha casinha", refere Rosa Pereira
acrescentando que quando está alguém em casa colocam-se de prevenção
varrendo a água impedindo que não entre.
Uma vez mais ficou com as mobílias estragadas, roupas e colchões
molhados. Porém, se a humidade já é muita, agora a situação piorou, na
medida em que a água andou no interior da casa. O resto do dia desta
custoiense foi passado a retirar a água da habitação e a tentar salvar
o que mais pudesse. "Esta já é a terceira mobília desde que cá estou",
desabafa.
Uma nova casa
É difícil de imaginar, descrever e acreditar que esta custoiense vive
com o seu marido e dois filhos, 20 e 27 anos respectivamente numa casa
que a qualquer momento poderá começar a cair aos pedaços face ao
excesso de humidade entranhada em tudo quanto é lado. As divisões da
casa resumem-se a dois pequenos quartos e uma cozinha reduzida. A casa
de banho situa-se fora da habitação. Das paredes e tecto já pouco se
conhece a cor, devido às camadas de humidade; os próprios colchões
começam a escurecer; as mobílias a apodrecerem; os aparelhos
eléctricos duram pouco, o cheiro da humidade começa a ser insuportável
e os bichos começam a aparecer. De acordo com Rosa Pereira, está
inscrita na habitação social desde 1994. Contudo, sabe que não está
abrangida pelo P.E.R., mas nem por isso perde a esperança de obter uma
nova habitação, no sentido de colmatar este cenário miserável que
provoca um pouco de confusão na hora da divisão de um espaço exíguo e
propício às doenças.
"Entretanto já visitaram a minha casa para análise. Recentemente
recebi a resposta de uma carta que escrevi ao presidente da Câmara
onde me foi informado que o meu caso foi remetido para os serviços
competentes para análise e tratamento técnico adequado", conta
acrescentando que o remédio é esperar e preparar para enfrentar mais
um Inverno em sobressalto.
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