|
Traçado do IP4 mantém-se
O lanço do IP4 entre
Matosinhos e a Maia deverá manter o traçado original, atravessando,
contra a vontade de alguns moradores, a freguesia de Leça do Balio. O
presidente de Câmara Narciso Miranda garantiu ontem que é
“completamente impossível” alterar o perfil da via.
O projecto de construção do
último lanço do Itinerário Principal nº 4 (IP4) vai manter-se. Para o
presidente da Câmara de Matosinhos, Narciso Miranda, “é completamente
impossível desviar o traçado”, evitando que a via não atravesse a
freguesia de Leça do Balio.
Sem adiantar pormenores sobre a reunião com o
Instituto de Estradas de Portugal (IEP) que decorreu na terça-feira, o
autarca apenas assegurou que o balanço do encontro foi muito positivo.
“A reunião correu muito bem, mas ainda não tive tempo de fazer a
avaliação do que se falou. É verdade que foram abordados os problemas
do IP4 de Custóias, Balio e Gueifães”, confirmou, referindo-se a todo
à ligação entre a Via Rápida, em Matosinhos, à confluência da A3 e A4,
na Maia. Prometendo mais pormenores para a próxima semana, Narciso
Miranda deixou antever, porém, a ideia de que podem vir a ser
realizados alguns ajustes de pormenor, por forma a minorar os impactos
ambientais e paisagísticos de que se queixa a população da freguesia
de Leça do Balio.
De acordo com o presidente da autarquia, “serão feitos ajustes, não em
termos de traçado, mas noutras ligações”, dando o exemplo da
interligação com a Via Norte, que liga o Porto a Norte, e a criação de
uma ligação à Efacec, uma empresa de Leça do Balio que produz
transformadores de grande porte, geralmente transportados por camião
para o porto de Leixões.
Contestação
Sublinhando por diversas vezes que o balanço da reunião com o IEP foi
“muito positivo”, Narciso Miranda não se referiu nenhuma vez às
críticas dos moradores de Leça do Balio ao traçado do IP4. Desde Abril
que a população desta freguesia tem vindo a contestar a decisão da
construção do itinerário, preocupada com o facto da nova via dividir a
freguesia a meio, sacrificando diversas habitações e agredindo uma
propriedade classificada como património nacional. As queixas
prendem-se essencialmente com os futuros incómodos não só ao nível da
poluição ambiental, mas também sonora, uma vez que estão previstos que
só por este troço passam cerca de 50 mil viaturas por dia. Na
freguesia de Custóias também chegou a haver alguns protestos contra o
projecto, uma vez que a nova travessia implicará também expropriações.
A construção deste último troço do IP4 tem já cerca de 30 anos.
Prevê-se que seja uma estrada com portagem, mas Narciso Miranda quer
que sejam garantidos corredores gratuitos para que as populações
sintam que o IP4 lhes é útil. Começa na A28, junto ao Estádio do Mar,
passa por Gueifães, Senhora da Hora, Custóias e finalmente Leça do
Balio e S. Mamede de Infesta.
|