|
Câmara de
Matosinhos faz denúncia que envolve ETAR de Gondomar
Queixa-crime contra lamas O depósito “clandestino” de
lamas em terrenos de Custóias vai originar a apresentação de uma
queixa-crime por parte da Câmara de Matosinhos. Em causa está o
proprietário do espaço, bem como as ETAR de Gramido e Rio Tinto, em
Gondomar.
A Câmara de Matosinhos vai
apresentar uma participação-crime contra o proprietário de uns
terrenos na freguesia de Custóias, onde alegadamente têm vindo a
ser depositadas toneladas de lamas. Em declarações a O PRIMEIRO
DE JANEIRO, a vereadora do Ambiente da autarquia adiantou que a
comunicação às autoridades será feita na próxima semana. A
queixa abarca ainda, além do referido indivíduo, as empresas e
entidades responsáveis pela produção e envio das lamas, estando
em causa pelo menos as ETAR de Gramido e de Rio Tinto, em
Gondomar. Joana Felício esclareceu que a descoberta daquela
situação foi espoletada pela denúncia de um munícipe de Custóias.
O Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SPNA) da GNR
deslocou-se ao local e através das guias de transporte pedidas
ao proprietário dos terrenos verificou a origem das lamas.
A autarca explicou que foi solicitada ao sujeito a licença de
utilização dos terrenos para os citados fins, mas ele não a
tinha. Também sobre a ETAR de Sobreiras, Porto, recaem
suspeitas, mas não existem provas concretas das guias.
Joana Felício admite que o acto está a ser cometido de forma
“clandestina” e alerta para o facto de as ETAR terem obrigação
de assegurar-se de que os espaços onde fazem depósitos estão
devidamente licenciados. “Os critérios são apertados”, frisou,
sustentando que “os solos têm de
possuir certos requisitos e as lamas analisadas”. A responsável
refere que passa uma linha de água junto aos terrenos que segue
para campos agrícolas circundantes: “Não se sabe se aquela água
está já contaminada pelas lamas, tornando perigoso o cenário
para a qualidade de vida da
população”, defendeu.
A vereadora do Ambiente da autarquia matosinhense garantiu ao
JANEIRO que já não é a primeira vez que surge uma denúncia
relativa ao depósito de lamas nos terrenos de Custóias. No ano
passado, um outro popular lançou o mesmo alerta e, por isso,
Joana Felício lamenta que a Comissão
de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) não
tenha actuado, “dado ser a entidade com competência para
fiscalizar”.
Envolvidos
Respostas parcas
A Câmara de Matosinhos irá endereçar um ofício para a homóloga
de Gondomar a dar conta do sucedido, bem como para a CCDR-N a
pedir-lhe intervenção. O JANEIRO tentou contactar esta entidade,
mas tal revelou-se infrutífero. Fonte da Câmara de Gondomar
respondeu, contudo, ao nosso jornal que “não tem intervenção
directa no processo, porque as ETAR estão concessionadas”.
Quando contactada, fonte da
Águas de Gondomar disse desconhecer o assunto e, alegando ir
inteirar-se, acabou por não responder em tempo útil. |