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Temporal pôs
Matosinhos num caos
Um mar de água
Não houve tempo para salvar
mais nada. Em questão de poucos minutos as garagens ficaram cheias de
água com pelo menos quatro automóveis no interior.
A manhã da passada quarta-feira
foi muito problemática. O mau tempo que se fez sentir deu origem a
várias situações difíceis para as gentes do nosso concelho. Uma dessas
situações problemáticas aconteceu num prédio que se situa na Rua dos
Fogueteiros, no Padrão da Légua, bem perto do cruzamento com a Avenida
Xanana Gusmão.
A chuva intensa que caía, acompanhada de um vento
avassalador, começou a acumular-se na rua. Segundo Joaquim Rodrigues,
morador do dito prédio, "tudo aconteceu demasiado rápido. Não demorou
mais de meia hora." Assim, em pouco tempo a rua parecia um autêntico
lago. Mas o pior não estava a acontecer na rua.
É que, ao mesmo tempo, as garagens do dito prédio que se situam na
cave do edifício começaram a encher-se de água. Os proprietários das
viaturas ali guardadas tiveram de, apressadamente, retirar os
automóveis. No entanto, houve quem não conseguiu fazê-lo a tempo. Pelo
menos três carros já não puderam ser retirados. Perante o olhar
incrédulo dos seus donos, os automóveis ficaram soterrados num misto
de água e lama que cobriu as garagens quase até ao seu topo.
Os Bombeiros Voluntários de S. Mamede de Infesta foram chamados ao
local. Primeiro, limparam a rua, desimpedindo as sarjetas e dando
andamento ao trânsito que teve dificuldades em circular na Avenida
Xanana Gusmão. Depois, passou toda a tarde de quarta-feira a bombear a
água das garagens do prédio afectado. Milhares de litros de água foram
retirados para a rua enquanto os moradores começavam a vislumbrar os
seus automóveis que tinham ficado no interior do edifício.
A desolação era grande. Joaquim Rodrigues não sabia a quem ia pedir
satisfações pelo sucedido. "Penso que a Câmara Municipal deveria ter
zelado para que a rua não inundasse daquela forma. Não sei se é das
sarjetas entupidas ou destas não terem capacidade de escoamento das
águas. A autarquia é responsável em ambos os casos."
Quanto às viaturas, não se sabia que prejuízos contabilizar. "A única
coisa que sabemos é que os carros estiveram todos submersos. Agora
vamos pôr os carros nas oficinas e ver de quanto é o prejuízo." Certo
é que os motores estavam cheios de lama e os interiores alagados pela
água.
Também prejudicada com esta inundação súbita foi uma empresa de
equipamentos desportivos que, também apanhada desprevenida, não
conseguiu retirar a tempo alguns equipamentos. Viam-se no exterior do
edifício dois tapetes de manutenção cuja água não tinha poupado.
Mais problemas
Os bombeiros do concelho não tiveram mãos a medir. A tromba de água
que caiu na quarta-feira fez com que ruas e casas ficassem cheias de
água. Carcavelos voltou a ser problemático. As ruas depressa se
transformaram em autênticos rios de águas. Algumas casas e
estabelecimentos comerciais sofreram inundações. Não houve nada que
parasse a fúria das águas.
Problemática foi também a situação na Senhora da
Hora. Um dos túneis sob o IC1 inundou apanhando desprevenidos os
automobilistas que por lá passavam. Alguns tiveram mesmo que
abandonar a viatura e fugir com a água pela cintura. Ali bem perto o
Metro também teve de parar por causa das inundações. Ainda na
Senhora da Hora, os lojistas do Centro Comercial Londres também se
viram e desejaram-se para fazer frente à
água que lhes entrava porta dentro.
Nas estradas, o caos foi geral. Muitos lençóis de água fizeram com que
o tráfego se fosse acumulando. Um teste aos nervos dos automobilistas
que chegaram tarde ao emprego por causa da intempérie. As escolas
foram igualmente afectadas total ou parcialmente. A E.B. 2,3 da
Barranha (Senhora da Hora) e a Escola Secundária do Padrão da Légua
(Custóias) fecharam da parte da manhã. Na Secundária Abel Salazar (S.
Mamede de Infesta) a cantina e o pavilhão desportivo tiveram de ser
encerrados. Já na E.B. 2,3 de Matosinhos foi só o pavilhão desportivo
que teve de ser fechado por causa das infiltrações de água.
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