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Autópsias dos
reclusos encontrados mortos em Custóias
Mistura mortal
Os primeiros resultados das autópsias efectuadas
aos reclusos que apareceram mortos na Prisão de Custóias apontam
para uma combinação mortal de fármacos como a causa da tragédia.
Tudo se passou a 16 de Dezembro último quando, um após o outro, três
reclusos foram encontrados mortos nas suas celas. Um quarto preso
foi ainda encontrado com vida, mas com grandes dificuldades em
sobreviver, sendo encaminhado para o hospital.
As autópsias entretanto feitas dão como motivo da morte uma paragem
cardio-respiratória que terá sido provocada pela combinação de
metadona com mais dois medicamentos. Os reclusos em causa estavam em
tratamento com metadona, dada a dependência de heroína de que
sofriam. Juntamente com a metadona eram-lhes ministrados dois
comprimidos de benzodiazepinas e neurolépticos. Os primeiros, para o
tratamento da ansiedade e das insónias. Os segundos comprimidos para
combater estados de grande agitação e delírio. Ou seja, complementos
para quem estava a ser sujeito a um tratamento de desintoxicação de
drogas duras.
Estes resultados, considerados quase como definitivos, levantam a
questão do tratamento que os reclusos dependentes de drogas estão a
receber nos estabelecimentos prisionais portugueses. É que as
quantidades de comprimidos encontradas nos corpos dos detidos foram
consideradas altas, mas que não ultrapassavam o limite das doses
normalmente prescritas. Apesar disso, o relatório pericial salienta
que, mesmo assim, essa quantidade era suficiente para provocar a
morte dos três homens. Sendo este tratamento aplicado em todos os
estabelecimentos prisionais portugueses, há uma apreensão grande nos
meios prisionais. De fora, no entanto, não fica a hipótese da
existência de outra substância que, em combinação com as outras
ingeridas pelos reclusos, tenha causado estas mortes. Novos exames
vão ser feitos de forma a esclarecer esta questão.
O esclarecimento total destas mortes é fundamental para definir o
futuro tratamento de reclusos dependentes de drogas. É que se provar
que a combinação da metadona com os ditos comprimidos foi, só por
si, a causadora das mortes, os tratamentos terão de ser repensados,
sob a pena deste cenário se voltar a repetir. Para além dos
resultados periciais, a recuperação do recluso que sobreviveu será
igualmente importante para o esclarecimento destes casos.
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