Partido “Os Verdes” exige explicações

Morte de reclusos no Parlamento

 

O Partido “Os Verdes” entregou na Assembleia da República um requerimento a solicitar explicações do Ministro da Justiça sobre a morte de três reclusos na Cadeia de Custóias, Matosinhos, alegadamente causada pela ingestão de droga.

 

Os três reclusos, que morreram entre sexta e segunda-feira, e um quatro, que esteve internado até terça-feira no Hospital de Matosinhos, por paragem cardíaca, tinham em comum o facto de serem toxicodependentes, estarem integrados no programa de substituição por metadona e ocuparem a mesma ala da cadeia.

 

No documento a que a Lusa teve acesso, o deputado ecologista Francisco Madeira Lopes considera que a inexistência, no relatório preliminar das autópsias, de indícios de consumo de opiáceos – o que poderá apontar para o consumo de drogas sintéticas ou ácidos obtidas no mercado negro – suscita “questões importantes que devem merecer resposta clara e uma actuação rápida no sentido de esclarecer a verdade relativamente à morte daqueles cidadãos”.

 

Francisco Madeira Lopes solicita ao presidente da Assembleia da República que remeta o requerimento ao Governo, para que o Ministério da Justiça possa esclarecer um conjunto de nove questões contidas no documento.

 

“Os Verdes” pretendem obter esclarecimentos sobre, nomeadamente, que acompanhamento específico é feito aos reclusos inscritos no programa de substituição com metadona e em que condições concretas é ministrada aos doentes essa substância de substituição.

 

A ingestão de drogas ilícitas ou de medicamentos de substituição são incompatíveis com o tratamento com metadona, podendo originar paragens cardio-respiratórias e levar à morte.

 

No requerimento, o deputado ecologista reivindica explicações sobre as medidas entretanto tomadas para impedir que casos semelhantes sucedam, especificamente em relação aos reclusos da cadeia de Custóias que seguem o mesmo programa de substituição.

 

Querem também saber que medidas concretas serão tomadas no sentido de apurar as verdadeiras causas que provocaram as três mortes e o que o Governo pretende implementar para acabar com o mercado negro de drogas dentro das prisões.

 

Solicita ainda dados relativos ao número total de óbitos verificados nos estabelecimentos prisionais portugueses desde o início de 2005 e quantos desses se deveram a homicídio, suicídio, causas naturais, doença (por exemplo doenças terminais ou infecto-contagiosas), overdose ou por insuficiente assistência médica.

 

 

Por: N/D in O Primeiro de Janeiro edição de 22-12-05

 

 

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