|
Numa iniciativa
dos Lions Clube de Matosinhos
Levar o Natal à prisão de Custóias
Os Lions Clube de Matosinhos
e a Câmara Municipal promoveram uma visita à Cadeia de Custóias,
levando consigo alguns presentes.
Erika é uma jovem venezuelana
que, recentemente, caiu nas malhas da justiça. Longe do país natal e
da família recebeu a notícia de que ia ser mãe. No entanto, a pobreza
e o facto de estar detida na ala feminina da Prisão de Custóias faz
com que olhe o futuro com alguma preocupação.
No entanto, a felicidade de ter um filho ninguém
lha tira. E, agora, esta felicidade foi reforçada pela visita dos
Lions Clube de Matosinhos ao estabelecimento prisional custoiense. É
que, juntamente com a visita, foi entregue à futura mamã um enxoval
completo.
Este foi um dos casos que a delegação dos Lions e da Câmara Municipal
de Matosinhos conheceram na visita que desenvolveram na passada sexta
feira à Prisão de Custóias. Uma acção lionística a que se associou a
autarquia local levando algumas roupas para a ala masculina. Este foi
um gesto que agradou aos reclusos que vivem isolados do mundo exterior
e que receberam de bom grado as ofertas.
Foi um momento diferente na vivência de um estabelecimento prisional
que vive, à semelhança dos congéneres nacionais, em sobrelotação. São
cerca de 950 reclusos, dos quais três dezenas são mulheres. Em termos
percentuais, a Prisão de Custóias está 35% acima da sua lotação
máxima, o que requer, tal como salientou o director do estabelecimento
prisional, um trabalho reforçado de organização. No entanto, Paulo
Carvalho destacou que nesse capítulo Custóias já esteve bem pior
quando o número de reclusos passava do milhar.
Narciso Miranda apontou a principal causa desta sobrelotação das
cadeias. E deu como exemplo uma reclusa que estava em prisão
preventiva há quinze meses e que, entretanto, tinha sido mãe na
cadeia. "Quando olhamos para aquela jovem temos de reconhecer que algo
vai mal na justiça portuguesa." O presidente da Câmara Municipal de
Matosinhos defendeu uma reforma "inevitável" do sistema judicial de
forma a evitar que Portugal tenha uma das taxas mais elevadas de
presos preventivos. "São pessoas que cometeram erros e têm de pagar
por eles. Não é isso que está em causa. Não devem é esperar tanto para
serem julgados." De salientar que metade da população prisional de
Custóias está detida preventivamente à espera de ser ouvida em
tribunal para que seja definida a pena a cumprir pelo crime que
cometeu.
Em Custóias existe um pavilhão que recebe as mulheres reclusas. São
cerca de trinta, mas só meia dúzia está a cumprir pena, estando as
outras presas preventivamente. Um cenário que vai mudar já no dia 3 de
Janeiro do próximo ano, uma vez que está definida para essa data a
inauguração da Prisão Feminina de Santa Cruz do Bispo. Com capacidade
para 350 reclusas, esta nova cadeia vai servir a zona norte. "Para as
suas famílias vai ser um significativo salto qualitativo", salientou
Narciso Miranda. "Deixam de ter de ir à Prisão de Tires, onde estão a
maioria das reclusas do Norte." O edil matosinhense salientou ainda a
responsabilidade da sociedade civil em reinserir estes homens e
mulheres que, num momento mau da vida, cometeram um erro e por ele
estão a pagar. "A sociedade tem de ser solidária. A Câmara de
Matosinhos tem feito o seu papel. De há uma década a esta parte temos
feito protocolos com os serviços prisionais de forma a promover uma
integração dos reclusos na vida activa."
|