Grupo de jovens líderes da Escola Sec. do Padrão da Légua

Educação feita pelos pares e pela saúde

 

Vários alunos da Escola Secundária do Padrão da Légua, em Custóias, estiveram, há dois anos, na origem de um grupo de jovens líderes. A iniciativa tem como objectivo educar os jovens pelos seus pares. A temática escolhida pelos estudantes foi os afectos.

 

A Escola Secundária do Padrão da Légua resolveu criar um grupo de jovens líderes. A iniciativa deu os primeiros passos há dois anos e, em termos da formação, concluiu-se no ano passado.

 

Júlia Leal, uma das professoras responsáveis, lembra que o processo foi sugerido por uma equipa da Unidade Local de Saúde de Matosinhos. Os docentes da escola solicitaram actividades para desenvolver. Em resposta, o psicólogo da ULS, Rui Ramos, sugeriu que fosse criado um ou mais grupos para se poder chegar aos alunos da escola. Este processo havia sido, antes, experimentado pelo técnico em Espanha. Conforme explicou o psicólogo, trata-se de uma metodologia designada «Pears Education» e que tem como objectivo fundamental fazer a promoção da saúde.

 

A título de exemplo, este processo foi aplicado já na prevenção da sida em comunidades em Portugal, Espanha, França e Inglaterra. “A imediata consequência foi o aumento do uso do preservativo”. No nosso País, refere o mesmo técnico, esta técnica foi aplicada no combate ao consumo do tabaco, estando na base da criação dos clubes “caça cigarros”. Segundo Rui Ramos “os técnicos de saúde chegaram, então, à conclusão que os modelos clássicos se esgotaram”. Segundo Sara Moreira, uma das alunas envolvidas, após a reunião do grupo, realizaram-se várias actividades, nomeadamente jogos envolvendo sentimentos, filmes sobre estas temáticas e um debate para esclarecimento de dúvidas.

 

“Fomos nós que procuramos as respostas. Para tal contamos com o apoio de vários técnicos. São os casos das enfermeiras, do psicólogo e de um estagiário desta última área. Chegamos à conclusão que ninguém está qualificado para dar respostas para o afecto”, afirmou Joana Silva, outra das alunas envolvidas. A propósito das motivações que os levaram a participar no grupo dos jovens líderes, Thiago Monteiro, outro dos estudantes, deixou bem clara a sua posição. “Fui enganado. Pensei que estaria relacionado com economia..., mas resolvi ficar”. Na sua fase inicial, refere Ricardo Ramos, muitos alunos se inscreveram. Os objectivos eram bem diferentes dos pretendidos pelos promotores: “Queriam ‘matar’ aulas”, já que, nos primeiros tempos, os trabalhos funcionavam no meio do período escolar normal. Apesar disso, refere Júlia Leal, mesmo aqueles que vieram ao engano tiraram partido de tudo o que foi discutido e colocaram, também eles, algumas dúvidas sobre os assuntos em debate.

 

Homossexualidade

 

Uma das vantagens da constituição do grupo foi o debate aberto sobre questões polémicas, como os casos do aborto ou da homossexualidade. “Apesar disso, ninguém ficava calado”. Inerente a esta questão está igualmente a necessidade de serem tolerante com os outros. Este problema assume particular relevância no caso da homossexualidade, pois os jovens confessam ter alguma dificuldade em lidar com esta questão. Para Eduarda Moreira, no futuro o principal objectivo do grupo de jovens líderes é o de promover uma maior ligação à escola, chegando aos seus alunos de uma forma diferente. “A proximidade das idades faz com que os jovens se sintam mais à vontade”, acrescentou.

 

 

Por: Eduardo Coelho in O Primeiro de Janeiro edição de 10-02-05

 

 

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