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Custóias: A Terceira Idade e as
Colectividades em debate
Servir
os que mais precisam
Depois de Leça do
Balio e Lavra, foi a vez de Custóias ser palco do colóquio "A 3ª Idade
e as Colectividades". Um evento cuja organização esteve a cargo da
Associação de Colectividades de Matosinhos, que contou com a
colaboração do Centro Social e Cultural de Custóias o qual cedeu as
instalações.
Um
colóquio onde se salientou a importância das colectividades na
sociedade portuguesa, na medida em que chegam mesmo a substituir o
Estado em alguns papéis fundamentais. O desporto e a acção
social, para além da cultura, são incumbências do Estado nas quais as
colectividades exercem uma acção de relevo.
Um apoio e papel que se quer cada vez mais activo. Daí que fosse
lançado o apelo, neste colóquio, para que as colectividades aproveitem
melhor as suas instalações e as coloquem ao serviço da comunidade. Principalmente
aquelas que durante o dia têm as portas fechadas. "Há que abrir as
portas para apoiar, não só os idosos, como à juventude", salientou o
presidente das Colectividades de Matosinhos. "Podem criar-se salas de
estudo, de leitura e salas com computadores". Isto, de forma a
integrar estas duas classes etárias que tanto necessitam de
acompanhamento e que muito dizem da própria história das
colectividades. "Os jovens são os que vão tomar conta do seu futuro;
os idosos já passaram por lá e necessitam ser bem tratados".
Por seu lado, o presidente da Federação das Colectividades do Distrito
do Porto salientou o importante papel das colectividades no apoio
social às colectividades onde estão inseridas. "As colectividades têm
de se mobilizar para que aproveitem em pleno as suas instalações. Por
exemplo, podem transformar-se em IPSS e, com a ajuda da Segurança
Social, prestar serviços de apoio social".
"O isolamento mata"
Mas também ao nível desportivo, as colectividades têm-se mostrado
essenciais: "Mobiliza muitos jovens e é onde eles passam grande parte
dos seus tempos livres. Somos nós que damos condições para se
desenvolver o desporto em Portugal, principalmente nas camadas mais
jovens". E exemplo disso são atletas que, actualmente, prestigiam o
nosso país e tiveram as suas origens nas colectividades.
Entretanto, com a diversificação de ofertas que as colectividades
podem proporcionar, existe também a hipótese destas contribuírem para
o decréscimo do desemprego. Isto porque, para algumas actividades, há
a necessidade de se contratarem técnicos especializados. "Isto é mais
significativo nas colectividades que prestam serviços de apoio social,
nomeadamente, ao nível da 3ª Idade".
Exemplo disso mesmo foi a colectividade que recebeu, no passado
sábado, este colóquio. O presidente da Direcção do Centro Social e
Cultural de Custóias lamentou a falta de apoio estatal à medida do
papel desempenhado por associações como a que dirige: "O Estado
explora as colectividades. Sabe as forças que elas têm na comunidade,
mas não lhes dá o apoio e o estatuto que estas merecem".
Manuel Cruz falou, então, do apoio social à 3ª Idade dada por esta
instituição e da abertura necessária à comunidade. Isto porque há
sempre mais alguém a necessitar de ajuda e à qual não se pode virar as
costas. "Temos de olhar para fora, para o irmão que precisa de socorro
e não olhar só para os associados".
Em representação da Junta de Freguesia de Custóias, o secretário da
autarquia local salientou o esforço feito no sentido de dotar a
freguesia de um lar de idosos e de uma sede para o rancho. Aliás, o
lar é encarado como fundamental, uma vez que não existe uma valência
destas em Custóias: "É que o isolamento mata. É importante tirar os
idosos do isolamento das suas casas para o convívio nestes espaços".
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