Incidência no concelho supera média nacional

Uma inimiga chamada tuberculose

 

A situação - não escondem - é preocupante e a doença aparece concentrada, sobretudo, nas freguesias de Matosinhos, Guifões e Custóias.

 

"Um problema de saúde local no concelho". É desta forma que é caracterizada a incidência da doença em Matosinhos, face a outros concelhos. A conclusão foi apresentada durante o 10º Encontro dos Centros de Saúde de Matosinhos, em que o Programa de Luta Contra a Tuberculose foi um dos temas abordados. Os números reflectem uma realidade para a qual querem, cada vez mais, chamar a atenção.

 

Em 2003, em termos de incidência da tuberculose por 100 mil habitantes - Matosinhos tem 166 275 mil habitantes - foram registados 73,9 doentes infectados. Este ano, a incidência vai já nos 73,6 doentes. Em Portugal, a incidência é de 40 doentes por cada 100 mil habitantes. E Matosinhos não é excepção. "Porque, em termos de prevalência da doença, continuamos a ter valores que nos recomendam uma atenção particular", sublinhou o director do Centro de Saúde de Matosinhos e adjunto da Direcção Clínica da Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), António Neto Rodrigues.

 

A superar a média nacional, a incidência da tuberculose no concelho de Matosinhos preocupa, assim, os profissionais da área. Reunidos, durante dois dias, num hotel em Leça da Palmeira, apresentaram números, factos e soluções que gostariam de ver implementadas o mais rapidamente possível, em nome da saúde de muitos os que, ainda hoje, são vítimas desta doença. E uma das medidas vai ser levada a cabo, em breve, pela ULSM. "Vamos proceder à realização de um estudo que possa caracterizar toda a epidemiologia da tuberculose no concelho", avançou Neto Rodrigues.

 

Segundo dados apresentados, a doença surge concentrada, sobretudo, na freguesia de Matosinhos, onde os valores pouco diferem de ano para ano, Guifões e Custóias. "Estas que são, no entanto, freguesias onde a incidência da doença varia. No último ano, por exemplo, Leça do Balio foi a que apresentou maior incidência de casos e, este ano, voltou ao normal", explicitou Manuela Costa, responsável pela Consulta de Tuberculose da ULSM. A única clínica a trabalhar na área, a médica lembra, aliás, a necessidade de maiores apoios, que não teriam de passar por grandes investimentos. Pede, apenas, e pelo menos, mais um clínico. "Porque, enquanto um ficaria na consulta, o outro poderia tomar contacto directo com aqueles que, muitas vezes, desconhecem que estão doentes", justifica.

 

Isto, porque num diagnóstico atempado pode estar a solução para o combate a esta situação "negra" da doença no concelho. "Não podemos ficar num gabinete à espera que o doente venha ter connosco, porque isso dificilmente acontece. Aliás, muitas vezes, eles só nos aparecem após terem tosse durante quatro ou cinco meses, sem se aperceberem que, entretanto, e possivelmente, já contagiaram outras pessoas", lembram. O combate à tuberculose passa, assim - asseguram -, pela realização de um rastreio activo e não passivo. Um rastreio que é feito "lá fora, nas casas, nos lares da terceira idade, junto dos sem-abrigo". E apresentam como exemplo: "No último ano, nove por cento dos doentes foram detectados a partir de visitas domiciliárias".

 

Conheça a doença

 

Recorde-se que a tuberculose é uma doença que se transmite de pessoa para pessoa através do ar. Quando um doente com tuberculose pulmonar espirra ou tosse, pequenas gotículas, contendo um microrganismo chamado Mycobacterium Tuberculosis, são espalhadas no ar, podendo permanecer suspensas durante várias horas. E, portanto, se outras pessoas as inalam, podem contrair a infecção ou a doença.

 

Tosse, expectoração, perda de apetite e o emagrecimento são os principais sinais a ter em conta. Já quanto às causas, aparecem directamente relacionadas com a toxicodependência e a sida. Muito embora, existam, também, várias situações detectadas junto da comunidade piscatória. "A tuberculose está muito associada a problemas respiratórios e, como sabemos, a vida do mar é muito dura", explica Manuela Costa. E o problema, nestes casos, "é que, junto destas pessoas, o descuido com a saúde é maior".

 

Dizer, ainda, que, tendo em conta que os idosos são um dos grupos de risco de infecção, serão realizadas acções de informação/formação para dotar os profissionais de apoio social - designadamente ajudantes domiciliárias, ajudantes de lar e centro de dia - de conhecimentos sobre a tuberculose. A primeira destas acções vai decorrer amanhã, dia 25, no Centro Social de Leça do Balio e a segunda no dia 2 de Dezembro, no Centro Social do Padrão da Légua. Uma iniciativa que está a ser organizada pela ULS SA Centro de Saúde de S. Mamede de Infesta e o Grupo Coordenador Anti-tuberculose, em parceria com a Junta de Freguesia de Leça do Balio, o Centro Social de Leça do Balio e o Centro Social do Padrão da Légua.

 

 

Por: Carla Festas in Matosinhos Hoje edição de 24-11-04

 

 

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